segunda-feira, 7 de julho de 2008


PROCEDIMENTO

Ela vigiava instantes, preocupava-se em reconhecê-los e a eles atribuir cores.
Procedimento de espichar o dia e gerar sentido.
Quando o sentido vinha treinava esquecimentos.
Reservava alguma essência que virava memória que servia pra consultas, servia pra reconhecer outros instantes.
Alguns agarravam-se nela e colavam, instantes insistentes, dor, alegria cega, ilusão ou utopia.
Interrompiam sua vigília, prejudicavam seu talento de atribuir cores.
Às vezes viravam doença e precisava de ajuda - oração, mandinga, vela acesa, incenso, análise, conversa, benzedura, receita, terapia.
E mais conversa à beira do fogão, à beira da estrada, à beira do abismo ou do nada.
Ela então espreitava (já pressentia).
Vigiava
e outro instante surgia.

9 comentários:

Anônimo disse...

Lelena, adorei fazer esta visita. Matei um pouco de saudade, mas não ela toda. Longe disso. Sabe quando vc só mata uma parte? Ainda tem pedaço de saudade, pulando, igual rabo de lagartixa. Tô adorando tudo. Licença, que vou ver mais...

Anônimo disse...

Esqueci de avisar: sou eu. Chico. Beijões!!!

Unknown disse...

Lê,
bonito demais seu poema. armadilhas as palavras...
um beijo
Sérgio

cidadao disse...

Ei Lelena!
Que bonito!
Beijo,
Pricila.

Anônimo disse...

Lelena Lucas,
o dia que você espichou virou tarde, virou noite, virou madrugada, virou arrebol, virou sol. E aí começou tudo de novo, porque um novo dia nasceu e espichou, e...
Que se renovem pra você esse e muitos outros dias, com muita luz! Se geram sentido ou não, isso não importa. Aliás o não sentido pode ser mais rico, mais pleno do que esse sentido que anda por aí, o sentido comum, o bom senso, pesado de regras e de frustrações.
Espiche o dia e aguarde o sentido. Há de ser bom. Feliz.

Anônimo disse...

My darling,
concordo com Marilu. O não sentido pode ser mais rico, ou quem sabe, a abertura para múltiplos sentidos? De qualquer forma, adoro ver suas criações. Beijos,
Glaura

Anônimo disse...

Que lindo, amiga! Adorei!

Anônimo disse...

Sem palavras... imagino o dia do lançamento do livro. Quem sabe?

Anônimo disse...

Estou amaaaando tudo e te achando a cada poema mais bonita, mais verdadeira, mais intensa, como você sempre foi. E estou amaaando tbm reencontrar por aqui uns amigos, mesmo que só em palavras. Beijos, Cau