segunda-feira, 7 de maio de 2012


VERTIGEM

Uma vertigem me lança em queda livre.

Entre sonhos e verdades frágeis vislumbro, enquanto caio, um jardim onde desejos maduros espalham as sementes mais férteis.

É assim depois que se passa pelo topo da vida. Uma vertigem de quem se depara com uma imensa descida, um abismo, um precipício.

Mas o salto é só um delírio. Real, porém, o suficiente para que se possa ver ao longo da vertiginosa queda uma coleção de símbolos, valores e preconceitos cambaleando nas beiradas das estantes. Parecido com a queda da Alice pelo buraco.

Entre beber um gole do frasco e comer um pedaço do bolo, escolho ser do tamanho que sou.

E ao bancar minha escolha recebo de prêmio uma chave, também assim como Alice. Mas a porta que ela abre não me leva ao país das maravilhas.

Porque já acordei.

terça-feira, 24 de abril de 2012


FEITIÇO

Tiro uma carta da manga
e umas fotos do baú.
O amor precisa de pouco
pra derramar pros lados de tanto.
Se não acho um novo feitiço, envelheço além de rugas.
Por isso devolvo para o tempo uma magia que o confunda.
E sigo com meus milagres.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


LIÇÕES


(quem muito se abaixa, o cu lhe aparece – já dizia minha bisavó)


Instante é menor que momento.

Aurora é feminino e ocaso, masculino. Também crepúsculo.

O antônimo é o contrário sem julgamento.

Os opostos também se repulsam.

Quem se presta ao abismo fica abismado.

Ao precipício, precipitado.

A memória é uma coleção de lembranças.

Parcimônia é mais elegante que economia.

Autocrítica, egoísmo, vaidade, omissão, condescendência, timidez, humildade, burrice, ignorância ou vergonha - podem justificar um mesmo discurso.

Justificar é achar o argumento que torna um erro menos errado.

Contexto faz uma coisa ser bem melhor do que é. Ou pior.

A relatividade também não é absoluta.