segunda-feira, 30 de junho de 2008


UM DIA

Não se sabia de outro domingo, de outro presente que não aquele atordoado, insano.
O dia era esse e não outro.
Nenhum café comprido, nada pra jogar fora na conversa, só a própria, inteira, dispensável porque estúpida.
Estúpida me reconheci naquele palavrório sem sentido, desprovido de construção ou de delícias inúteis.
Vai que uma carta seria uma solução poética, carta de símbolos sem palavras, carta de imagens desconectadas, sugestões abstratas, uma possível despedida sem adeus.
Fazia frio e sono e cansaço e medo. Fazia abandono e inverno.
Tomei o presente nas minhas mãos, não o subjetivo, o da caixa. Olhei sua beleza e suas
possibilidades repletas de sentido.
Mas o que se passava era débil e estéril, uma manifestação de passado e estagnação.
Emprestei ao dia algumas cores, as de outra caixa, de outro passado. Cores que se refaziam presentes.
Algo então foi escrito, que nem eu mesma conseguia decifrar. Colocado no papel pra que virasse outra coisa. E virou mesmo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sentido... sem sentido, que no fundo tem um sentido, desconexo, que significa algo, momento, talvez de descoberta, do sem sentido, do desconexo, que começa a fazer sentido, será?